A LUTA POR UMA UNIDADE NACIONAL COMEÇA NAS AUTARQUIAS. É PRECISO MUDAR O DISCO PARA QUE SE TOQUE OUTRA MÚSICA.
As eleições autárquicas do próximo dia 7 de Dezembro continuam amexer com o País. Não só com Quelimane , Cuamba e Pemba. Está em Causa: O futuro centro do Poder em Moçambique, muito para além dos cargos municipais em disputas. Para quem tem a sua frente a batalha partidária em 2012 em Pemba, quando se realizar o 10 congresso da Frelimo, estas eleições autárquicas “intercalares” são mais do que meras eleições locais. São determinantes para o jogo interno de Poder no Partido Frelimo. Para se perspectivarem cenários nas próximas eleições gerais e presidências, estas eleições também ultrapassam a mera importância local. A Victória da oposição nestas eleições poderá ajudar a Frelimo a dar um enorme passo que lhe permita libertar se do preconceito de ter o Poder no seu seio encravado no eixo ronga-shangane, pulverizado por uns quantos oportunistas das províncias “deslocados” em Maputo com os olhos postos apenas nos seus benefícios directos e ignorando simultaneamente os seus conterrâneos. A grande batalha nestas eleições, tudo indica esta no eixo Cuamba-Quelimane. Nestas duas autarquias estará em causa sobretudo a oportunidade dos eleitores locais demonstrarem que com os recursos naturais em exploração, é preciso que se comece pelos “bons sinais” nestas “intercalares para que o vento volte a soprar lhes favoravelmente e deixem de ser zonas do país onde certos senhores acomodados no extremo sul se deslocam lá apenas para irem buscar votos para os que servem os seus propósitos mas ao mesmo tempo impedem que os que vivem nas zonas onde estão os recursos consigam beneficiar deles. A luta agora é para descentralizar para que o Poder local possa exigir dividendos do que acontece nos seus espaços, sem, obviamente, se prejudicar o resto do País. O que hoje acontece é que as províncias são meros campos de produção de riqueza de afortunados instalados na capital do País. E é isso que deve mudar, mas só munda localmente se lutar por mudanças que ultrapassem a simples mudança de nomes. As mudanças não se podem limitar a mudar “pio” do Matos para Lourenço. O exemplo de do gás de Temane e Pande, a norte de Inhambane, e a falta de interesse que os eleitores desta província têm demonstrado pelas sucessivas eleições traz-nos à memoria a necessidade de se perceber de uma vez por todas que “camarão que dorme a onda leva”. O gás está em exploração mas não se vêem vantagens práticas para as gentes de Inhambane. Os afortunados com este negócio estão em Maputo e tudo o resto continua sendo paisagem. Uns poucos apresentando se como originários de certas províncias só se preocupam com elas quando há eleições. Os resultados estão a vista. Eles vivem rodeados de fartura fruto do seu alinhamento com o partido no poder, vendendo a sua influência junto dos seus conterrâneos, mas onde saem as riquezas não fica nada ou ficam apenas migalhas. não pode continuar a ser assim. E só muda se deixar de haver “lacaios”. Para deixar de haver “lacaios” é preciso não se votar neles. Os que estão nas terras continuam a ver o produto da terra a ser levado sem que la fiquem benefícios. A luta interna na Frelimo para que os que são do centro e do Norte também possam chegar ao Poder, só terá a ganhar se os candidatos da Frelimo perderem estas “intercalares”. Para se impor a vontade dos cidadãos que estão nas zonas conde estão os recursos naturais, é preciso entrar se no jogo político. E sendo que é por via das eleições que se encontram os governantes, é preciso ir-se votar. Quem fica em casa e não vota depois só se pode queixar. Nada mais pode. Ao ir-se votar pela alternância de Poder consegue-se sobretudo impedir que sejam sempre os mesmos a exercer o Poder. Consegue-se que se refresque o Poder. Consegue-se que dando-se oportunidade a outros as coisas possam melhorar nos respectivos municípios. É preciso que os “segredos” mudem de mãos. Os mesmo sempre no Poder, dá sempre o mesmo. Uns cada vez mais ricos, outros cada vez mais podres. Ainda há dúvidas? A Frelimo libertou Moçambique porque o vento soprava do norte. O vento tem de voltar a soprar no norte. A Renamo impôs “vento do norte” e acabaram as guias de marcha, acabaram os campos de reeducação, acabaram as aldeias comunais, foi implantada uma nova constituição que impede os abusos que antes eram praticados por quem estava no Poder, deixem de ter cobertura. É certo que nestas eleições autárquicas todos os candidatos são das respectivas autarquias e todas elas estão o Norte. Mas os que estiveram ao serviço de quem Maputo se preocupa mais com os seus interesses pessoas do que com as suas terras, mesmo que delas sejam oriundos, dever ser afastados para que se possa experimentar os frutos de novos gestores da coisa pública. Mesmo em Bobole, a escassos quilómetros de Maputo se espera que o “vento sopre do norte”… ai também precisam que as atitudes mudem…os eleitores devem passar a saber gerir o voito a seu favor. Ainda nestas eleições está uma enorme oportunidade dos jovens se imporem. Quelimane, Cuamba e Pemba podem entrar para história, fazendo as coisas mudarem. Davis Simango tornou-se na Beira o primeiro independente a vencer dois partidos militarizados. Depois disso foi fundado o MDM. Soprou “vento”… os três candidatos do MDM poderão entrar para a história como os primeiros representantes de um partido sem passado militar, se vencerem estas eleições. O MDM é produto de uma “revolta popular” contra quem quis contrariar a vontade dos beirenses. Venceram os que desobedeceram a ordens que desrespeitavam os mais elementares princípios democráticos. Uns queriam “vender” a Beira em seu próprio beneficio, a quem a queria reconquistar. Os beirenses disseram não aos que que queriam “teleguiar” e hoje estão finalmente a começar a sentir os benefícios da sua determinação. Até os funcionários públicos foram inteligentes a ponto de fazerem pisca para a esquerda e virarem à direita na hora de votarem. Fizeram campanha para uns e votaram nos outros….o voto secreto permitiu lhes o jogo. Em Quelimane, Pemba e Cuamba, respectivamente, os eleitos nas última eleições autárquicas, todos da Frelimo, foram humilhados e obrigados a resignarem ao mandato que tinham recebido dos eleitores locais. As ordens para se demitirem tiveram que ser escrupulosamente cumpridas para se salvar a imagem de quem queria manter os cidadãos locais amarrados e às ordens de longe. A Frelimo humilhou “gente da terra”… A oportunidade dos eleitores de Quelimane, Cuamba e Pemba dizerem “aqui mandamos nós” estará ao alcance deles no dia 7 de Dezembro. É já daqui a dias que o seu futuro se decide. Veremos se preferem continuar “escravos” ou se preferem assenhorarem-se dos seus destinos, escolhendo novos caminhos que lhes tem sido , sistematicamente, negado por quem esteve no poder desde a Independência Nacional e o que lhe oferece é obras de pouca duração ou NADA… O País precisa de, “como de pão para a boca”, que o poder se desconcentre das mãos dos mesmo de sempre. A autonomia municipal não pode continuar só no papel. É preciso que os “filhos de cada terra” digam não aos seus conterrâneos que se deixam subjugar e submeter a ordens de longe. Ser se pela unidade nacional não é ser se subserviente. O que é do País é de todos, não pode ser só para quem está no acantonado em Maputo. É preciso lutar para que deixe de ser assim. Ninguém larga o “bife” sem o lho tirarem. É preciso impor a repartição jysta dos benefícios. Isso não se faz com “lacaios”. O País não pode continuar a ser de um feudo de gente que se encontra na sua capital, Maputo, proveniente das províncias, nem de quem se oferece para lhes prestar vassalagem para subjugar os seus conterrâneos. O Poder Central deve ser o resultado da soma das vontades de todos os moçambicanos espalhados pelo território nacional. O resto do País não pode continuar a machamba de quem vive em Maputo. Localmente tem de haver benefícios. E isso não esta a haver. Esta luta por uma unidade nacional começa nas autarquias. Os munícipes de Quelimane, Cuamba e Pemba podem mostrar aos outros moçambicanos que é hora de decididamente nas províncias se começar a impor a vontade de quem é de quem lá vive. É hora de rejeitar os “lacaios”. É hora de se rejeitarem novas caras que se encontram apenas para se manter o mesmo disco e a mesma música. É PRECISO MUDAR O DISCO PARA QUE SE TOQUE OUTRA MÚSICA.
December 1, 2011
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Posted by Administrador
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