‘Chuabo’ lança grito de revolta

Por Edwin Hounnou, in Canalmoz
 

Quelimane (Canalmoz) – Quelimane, “Cidade Chuabo”, como os nativos a apelidam, pode chorar de pena e de consternação. Desde a Independência Nacional, a 25 de Junho de 1975, a “Cidade Chuabo” foi conhecendo, gradualmente, a regressão e destruição sistemática provocada pelos sucessivos governos locais até desaguar num mar de problemas sem solução à vista até ao presente.

A falta de água é crónica e dramática. Na periferia da cidade, o problema da escassez, ou ausência dela, tem contornos alarmantes. Mulheres e crianças acotovelam-se, com seus biddons, durante o dia todo, junto aos furos que, muitas vezes, de manhã ao pôr-do-sol, não jorram uma pinga de água para molhar a garganta, como bem canta o músico moçambicano Fernando Luís.

Na abertura da campanha, Pio Matos, ex-edil, disse que sai de cabeça erguida porque “a Frelimo levou água aos bairros”. Esta “lata” não convenceu ninguém. O choro pela água faz-se ouvir, cada vez com maior intensidade.

Pio Matos, um dos “generais” da campanha do partido Frelimo, mentiu ao dizer que deixou o município com o problema de água resolvido. Bom falante, o edil humilhado que ao demitir-se suscitaria eleições “intercalares” na terra dos Chuabos, fala rodopiando. A verdadeira falácia da água só poderia sair da boca de um grande mágico…

O problema da água é grave e ainda nem ainda começou a ser atacado. As pessoas dizem que “a Frelimo e o Pio dele nos enganaram três vezes”. Prometem resolver o mesmo problema, mas, quando chegam ao poder, preocupam-se mais com suas negociatas. Não se interessam com os problemas da urbe.

“Chuabo” é uma miscelânea de cidade e campo. Em plena cidade há construção de habitação com material precário, quintais com cercado de restos de madeira sem valor para ser vendida ao exterior porque está na moda, no País, exportar madeira não processada, um negócio chorudo envolvendo elites ligadas ao partido no poder e cidadãos chineses que, também, andam de “táxi” de bicicleta aqui em Quelimane.

Por aqui vêem-se camiões de grande tonelagem, carregados de toros de madeira, a circular pelas ruas da cidade, danificando o pavimento, sob o olhar impávido das autoridades que deveriam disciplinar a circulação desses camiões. Ninguém pode ser juiz em causa própria. Os que deveriam velar pela administração pública estão hoje em negociatas atrás dos balcões das instituições do Estado. Gerem os seus negócios pessoais instalados em repartições do Estado. Não põem termos a estes atentados aos bens do erário público, não impedem a circulação de camiões porque os negócios são todos de gente da mesma família política. Quelimane assim se degrada.

A “Cidade Chuabo” tem lixo amontoado nas suas esquinas que nao é retirado regularmente. As suas ruas estão esburacadas. Agora que a campanha eleitoral está a decorrer, as autoridades municipais trabalham, a todo o gás, para tapar a vergonha. O que deveria ser o seu trabalho quotidiano, é feito em época de campanha eleitoral para enganar os mais distraídos.

“Chuabo” parou no tempo e, como ironia, os autores da sua desgraça, de cinco em cinco anos, voltam a bater-lhe à porta à caça de votos para continuarem a curtir.

Manuel de Araújo, candidato do Movimento Democrático de Moçambique, disse que a sua candidatura é um grito de revolta. Serve para dizer “basta de brincar com mwana chuabo”.

A luta nestas “intercalares” está ao rubro. É já na próxima quarta-feira que os munícipes da capital da Zambézia vão às urnas. Esta é a capital da segunda província mais populosa do País. Não se consegue ter uma percepção segura de qual poderá ser o desfecho destas eleições. O certo, porém, é que Manuel Araújo está a mexer com tudo e com todos e o seu nome é o mais comentado, sobretudo na periferia e entre os jovens.

Não surpreenderá se a oposição vencer, mas o receio da fraude está presente e poderá, a acontecer, ser a faísca que incendiará a pradaria. Recomenda-se o maior civismo, por eleições justas. (Edwin Hounnou)

 

3 Comments

  1. Machuabo says:

    So fraude para contrariar. Ha centenas de milhares de gente vinda de todos os distritos da Zambezia. Alegaram inicialmente que era para reforcar a campanha da FRELIMO. Mas tudo indica que ainda permanecerao ate ao desfecho das eleicoes. Me pergunto: porque? Para que? Ha que tener muito cuidado com a maquina. Os tipos tem um Petite sanguinario pelo poder e farao de tudo para nao deixar escapar a nossa “cidade-chuabo”. Porque a aconter, sera o fim da picada. Mas esles que se acautelem porque el pueblo ha perdido o sono. Pode-se advinhar muita cafuafua, caso os seus metodos nao sejam bem meticulosamente selecionados. VIVA LA LIBERDAD. AVANTE QUELIMANE.

  2. Carlos Mendes says:

    Ouvimos na campanha da Frelimo e do Lourenco Bico que os municipes deviam votar em pessoas com experiencia.
    Tudo isso e simplesmente ridiculo! Nao que concorde com o que a Frelimo diz, mas neste pais os jovens lutam justamente contra essa forma de pensar. Nos, jovens, nao queremos que nos barrem com esse negocio ai de “falta de experiencia”.
    Os jovens enfrentam esse tipo de barreira quando querem empregos.
    Se os jovens nao gostam que nao se lhes deia oportunidade porque nao tem “experiencia”, ENTAO nao podem votar em alguem que exige experiencias para se ocupar cargos.
    Nao votem em alguem que nao aposta em jovens, sem experiencia.

    Mais uma vez, a bala saiu-lhes pela culatra.

  3. Joao Madia says:

    Demorou mas Chegou! Agora vamos mudar o nosso QUELIMANE!

    Eu pessoalmente sou vitima da ma governacao e ma competitividade partidaria desde a minha infancia em 84. Agora posso escolher o meu partido, o partido MDM.

    Os meus pais nao conheceram apoio do governo, ainda mais tinham que lhes tirar o pouco que conseguiam para sobreviver.

    Cresci, fiz o ensino basico pecuario em Mocuba, voltei, fiz o 12 Ano na 25 de Setembro e terminei. E agora que mais? NADA. Emprego, NADA, investimentos em programas de apoio ao jovem e da familia, NADA.

    Shiiiii, Fugi de Quelimane, digo, FUGI de Quelimane a procura de oportunidades. Agora penso em voltar porque acredito na nova era prestes a chegar com o menino da terra; MANUEL DE ARAUJO.

    Achuabo mufugule mento, mwiwanane, mussacule dereto.

    Araujo oye!

    Bencao esteja consigo.

    Joao

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